Economia

Funcionários do BB fazem nova paralisação nesta quarta-feira

Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região aderiu ao movimento nacional contra a reestruturação do Banco do Brasil

Carlos Queiroz -

Por unanimidade de votos, o Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região aderiu à nova paralisação dos funcionários do Banco do Brasil entre a meia-noite desta terça-feira (9) e às 23h59min desta quarta(10). A decisão regional acompanha o movimento nacional contra o plano de reestruturação do banco, lançado no mês passado e que já culminou na demissão voluntária de 5.533 mil servidores e o fechamento de agências em todo o país. O atendimento ao público será retomado na manhã de quinta-feira. 

Esta é a segunda paralisação dos funcionários do banco em menos de duas semanas. A última ocorreu no dia 29 de janeiro, também com adesão dos bancários em Pelotas. O novo ato desta quarta-feira marca a extinção da função de caixa nas agências e postos de atendimento.

"O objetivo das paralisações é tentar frear a reestruturação ou diminuir os danos aos profissionais que, por conta dessa decisão, devem perder até 30% de seus salários. E também ao público em geral, já que trabalhamos com déficit de funcionários e sobrecarga em diversas agências", disse a diretora do Sindicato dos Bancários de Pelotas e Região, Marlise Souza.

Ainda de acordo com o Sindicato, além dos cortes salariais, os bancários correm o risco de ficarem pressionados entre a realocação para outras cidades e o programa de desligamento. "Está tudo muito obscuro. Não sabemos quais agências serão fechadas ou para onde irão estes profissionais. Não houve uma conversa com os sindicatos. Foi uma decisão de cima pra baixo", criticou a diretora do Sindicato que representa 229 funcionários do banco nas cidades de Pelotas, Capão do Leão, Canguçu, Jaguarão, Arroio Grande, São Lourenço do Sul, Piratini, Santana da Boa Vista, Cerrito e Pedro Osório.

Lançado no dia 11 de janeiro, o plano de reestruturação do Banco do Brasil prevê ainda o fechamento de 361 unidades e postos de atendimento até o fim do primeiro semestre deste ano. As mudanças são motivadas pela redução de 42% no fluxo de transações em guichês de caixa e no crescimento das transações via internet. A expectativa é gerar uma economia de R$ 2,7 bilhões até 2025 através do conjunto de ações. A reportagem questionou o BB sobre as novas paralisações em âmbito nacional, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Programas sociais em risco

As pautas defendidas pelos movimentos sindicais não ficam apenas voltadas aos bancários. De acordo com Marlise Souza, o plano de reestruturação e até mesmo uma possível privatização do Banco do Brasil podem colocar a abrangência de programas sociais importantes em risco, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronafe) e o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).

"Muitas agências em pequenas cidades foram fechadas e trabalhadores rurais e pequenos empresários ficaram desassistidos", comentou. Apenas durante a pandemia, o Pronampe ofereceu 109.598 mil operações de financiamento para pequenos e médios empreendedores em troca da manutenção dos postos de trabalho, ação que gerou R$ 6,8 bilhões em créditos via Banco do Brasil, de acordo com Souza. "Ou seja, o Banco tem um papel social importante e estamos lutando para mantê-lo", finalizou.

 

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